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terça-feira, agosto 30, 2016

Espero-te

O sol adormeceu faz algumas horas, mas o meu corpo apoderou-se das insónias a que sobrevive nos últimos tempos. O vazio dos meus lençóis é um tanto entre mim que sou tão pouco por não te ter aqui; sou escassa nos movimentos e nas palavras, porque pretendo eternizar-me no amor que preenche o meu coração com pedaços de ti. É tão fácil derreter-me, sem medos ou receios, no calor das linhas que traças em mim. 
Nessas alturas, em que fervo na chama que arde entre nós, digo baixinho ao teu ouvido: o meu lugar é aqui. E sei-o sem hesitações, sei que te pertenço e que o nosso amor arde sem fim. Porque é nos teus beijos onde me entalo, onde me perco e onde te sinto incansável. Espero por ti, ainda deitada, na esperança de brotar respirações ritmadas e avistar a tua roupa perdida pelo nosso lar. 

sexta-feira, agosto 26, 2016

Obras de arte

Cheguei a casa. Eram quase nove da noite quando voltei, embrulhada em calor e preenchida pela distância que agora nos separa. Trouxe comigo o teu cheiro e o vazio da tua voz, seguindo-se as nódoas negras que ganhei a cada quilometro percorrido. 
Os meus pensamentos celebram as vezes em que rebolei contigo na cama, durante largas horas do dia, desprezando os raios solares que penetravam o nosso corpo através da janela bordada de veludo. Liberto sorrisos serenos, mas vagos, na esperança de alcançar uma distancia entre o vazio que trouxe comigo, desde que te larguei na noite passada, e a pessoa que sou hoje por te ter na minha vida. Somos obras de arte, pinceladas por chamas e cobertas de espectros. Pagaria uma vida inteira para ser a tua obra de arte eterna; aquela por quem te apaixonarias ao acordar e a quem agradecias o esforço e dedicação ao deitar. É isso que te digo todas as noites que te beijo, entre uma coleção de roupa e rasgões de alma, alimentado os teus lábios com o sabor dos meus. O nosso lar ferve com o eco da tua voz, mas és tu quem ousas aquecer-me também com as pétalas de orgulho que deitas sobre mim.
Traduzo-te o meu amor pela chama que arde enquanto te espero, deitada, na esperança que o próximo dia te traga, de novo, até mim.

sexta-feira, abril 25, 2014

Desidratação

Éramos a noite num estado ofegante e o dia num estado oclusivo. Éramos o entardecer e o silêncio. Éramo-lo, e tu sabe-lo bem. Mitigávamos o sofrimento que subsistia quando nos separávamos, mas nunca fora suficiente para calá-lo. Entre nós persistiam os versos e a prosa. E, até mesmo, os recados com pedidos de desculpa. Sempre foste frenético, e tu sabe-lo bem. 
Esta noite estava vazia. Os nossos sonhos desdobravam-se em pensamentos vendidos e a tua consciência vagueava sem destino. Estava escuro, estava silêncio e o meu lar chorava pedaços de céu escuro. A minha alma estava desidratada, e tu? Tu atreveste-te a reduzir à eternidade.
Sempre fomos inerentes. Sempre fomos inerentes até na noite que nos preenchia. Até na noite...

terça-feira, abril 08, 2014

Ritmo pausado

Rasgávamos a alma em melodias pausadas e, sob o céu escuro, desvaneciamo-nos em versos de poesia. Eu respirava a noite como respirava o perfume adocicado entranhado no teu corpo despido e perdia a noção das vezes em que, na tua respiração pausada e ritmada, ficava perdida. Eras-me tanto naquele sigilo nocturno, eras a minha noite e o adormecer dela. Eras-me tudo, digo-o por fim.
Banhava na tua pele seca, a ausência do meu corpo gélido. Os nossos olhares que se desdobravam em sonhos vendidos, sugavam o adormecer do nosso lar. As minhas palavras tornar-se-iam mudas, naquela que seria a eternidade a teu lado.

sábado, março 01, 2014

Memórias

Éramos uma respiração adormecida naquela noite poderosa. O anoitecer trespassava o nosso corpo em versos de poesia e os suspiros abafados naquele gélido lar ecoavam em eco no meu pensamento. Beijei-te em prosa e testemunhei todos os teus detalhes enquanto enamorava o teu rosto. Estava rendida à tua alma, estava rendida ao protótipo que nos tornaríamos.
As fissuras da tua voz banhavam o meu pescoço em forma de sussurro. Esmagámo-nos de amor, de memórias curtas, e respirámos a luz adormecida daquele lar, que tantas vezes fora nosso. Era como engasgarmo-nos de amor, era como engasgarmo-nos do tempo suficiente que tínhamos para sermos amados.

domingo, fevereiro 02, 2014

Céu escuro

Cruzámo-nos, novamente, em respirações que seriam suficientes para preencher as nossas noites. Continuavas feérico naquela noite e eras, para mim, o melhor delas. Entre poesias esquecidas no lar adormecido, ousei pedir-te que me rasgasses a alma, pois rasgar-te-ia pedaços da tua também. 
Estranhamente, eras a minha melhor memória sob o silêncio do céu escuro. Chegámos a ser um bom remédio para aquilo que poderia ser o infinito.
E, entre palavras estagnadas, o meu corpo acabou desvanecido, deixando as tuas mãos sozinhas. Não éramos um protótipo de noite efémero, éramo-lo sim, imutavelmente.

sábado, janeiro 18, 2014

Vestígios

Estávamos os dois sozinhos naquelas quatro paredes singelas. As nossas respirações soavam em prosa no silêncio despido daquela noite. Beijavas porções brutas dos meus lábios, enquanto sorrias. Não havia vestígios teus, desaparecias, perdiaste por ali. Evoquei o teu nome, em melodias pausadas, e o meu pensamento bailava com a tua mente em gestos delicados. A luz do lar, banhado pelos nossos corpos, estava adormecida mais uma vez. Havia alturas em que a nossa sinfonia se notava.
Estavas feérico naquela noite, como em tantas outras. Observámos o céu anoitecido e anoitecemos juntos, também.

terça-feira, janeiro 07, 2014

Incógnitas

A inércia do tempo desgastava-me o corpo. Ouvi a tua respiração abafada no silêncio enublado da noite, que num ápice se instalou em todo o meu lar. Esmagaste-me de beijos e em memórias caímos sem fôlego sobre os lençóis. O teu corpo estava banhado de incógnitas, respiravas as nossas vozes em pedaços de céu escuro, enquanto que eu te decorava em pensamentos. O teu estado cansativo era efémero. Alcoolizaste os meus lábios, congelamos o movimento e ficámos num estado de hipnosia.

quarta-feira, janeiro 01, 2014

Suspiro

A noite já havia caído sobre o meu lar e eu observei-te numa mistura de respiração branda a olhar para mim. Sempre preferi a noite ao dia, e respiro-a como respiro o perfume adocicado entranhado no teu corpo.
Naquela noite, sorriamos em respirações anoitecidas, enquanto os meus pensamentos esvoaçavam no céu adormecido. Quis dizer-te alguns deles em voz alta, mas o silêncio era demasiado ensurdecedor para ser travado. Nunca quis tanto estar com alguém como quero estar contigo - sussurrei-te em prosa.
A tua voz rouca, respondeu-me percorrendo o vazio da noite, e em breves suspiros afoguei-me sob o teu corpo e alojei-me na nossa paixão.

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Movimento

Anoiteceu. Alcoolizei o meu corpo com o cheiro do teu perfume e agarrei-me a pedaços de céu escuro, enquanto deixava escorregar pétalas de amor sobre ti. A tua respiração pausada e ritmada, amalgava-se no silêncio enublado da noite. 
No teu rosto, choviam lágrimas disfarçadas e vestidas de uma infelicidade existente em ti. Estavas num estado semi-adormecido, mais uma vez. Afundei-me junto ao teu corpo e decorei as feridas banhadas na tua pele gélida. Ousei sentir a tua respiração sobre o meu pescoço, naquele teu silêncio ensurdecedor. Amei-te nesta noite, e em tantas outras. 
Por fim, cravei o meu cansaço nos lençóis, congelei o meu movimento, e tornei a perder-me em ti.

sábado, dezembro 21, 2013

Envenenar

De tão perto, decifrei em prosa a tua respiração. As nossas vozes amalgavam-se num silêncio confortante. Preencheste a minha pele com pedaços da tua alma, tentaste sobressair os meus pensamentos, e cravaste em mim beijos apaixonantes. Afogámo-nos em suspiros e engasgámo-nos de amor.
Nesta noite, encontrei-te semi-adormecido e observei como os teus ossos se sobressaíam. Conservei em ti, pedaços de mim. Cobri e pressionei os meus lábios contra os teus, e tornei a dançar o silêncio com a tua alma. A luz adormecida do meu lar, estava decorada pelo teu corpo embriagado.
Há imenso tempo que somos o protótipo de noite. Respirei-te e envenenei-me do nosso amor, mais uma vez.

sábado, dezembro 14, 2013

Adormecer

Nesta noite gélida, fiquei acordada. Contava os teus cigarros apagados, enquanto ouvia o teu respirar dos lençóis. Na noite passada, observei-te a desenhar suspiros de tabaco, enquanto me deitava a pensar em ti. Foram suspiros longos, os mais longos de todos. Carregavas pedaços de angústia. E eu só quis chorar, quis chorar contigo.
Olhava para o meu lar banhado de um adormecimento profundo e sorria por ainda te ter comigo. A tua respiração, num ritmo pausado, ecoava em mim. No meu pensamento rasgado de felicidade. Agarrei-me ao teu pescoço, e dancei o silêncio com a tua alma.
A noite arrastava-se e a madrugada aproximava-se. De tão perto, amei-te mais uma vez. Um sorriso delicado surgiu no teu rosto angustiado, cobri os teus lábios drasticamente desidratados, e perdi-me em ti.

domingo, dezembro 08, 2013

Esperança

 
Nesta noite fria e devastadora, seguro nas minhas mãos gélidas uma caneca de chocolate quente.
Ouvi, mais uma vez, a tua respiração em prosa. Lentamente, o teu cigarro desvaneceu e as tuas mãos ficaram sozinhas, lutando contra o frio. O teu rosto empalidecido perfurou o meu olhar e, em passos curtos, aterrei nos teus braços.
Descansei o meu rosto na tua clavícula e respirei o conforto do teu corpo. O conforto que nunca perdi. Desenrolaste-me os pensamentos e eu reconheci a ausência dos teus. Beijei o teu pescoço e o teu rosto na esperança de que me assegurasses que estava tudo bem, mas não estava. Sussurrei-te que só queria deitar-me sobre os lençóis, a teu lado, e falar-te de coisas sem nexo. Não ousaste responder-me, e a nossa solidão tornou-se confortável.
Enrosquei-me em ti e deitei-me sobre o teu peito, enquanto embrulhavas o meu cabelo nos teus dedos. Amei-te nesta noite, como em tantas outras. E numa respiração adormecida, dei por mim, a adormecer também.

domingo, dezembro 01, 2013

Respiração

Dormias ao teu jeito naquela noite. Em silêncio, deixei-te e refugiei-me numa chávena de chocolate quente. No hall de entrada ouvia-se a tua respiração em prosa, e ainda se sentia o teu perfume - fazes questão que ele permaneça no meu lar, para que nunca me esqueça de ti. 
Em noites frias como esta, recordo-me de como te conheci e de como nunca mais te quis largar.
Descalça sobre o chão gelado, encostei-me à porta do meu refúgio, e observei-te dormindo. A felicidade transmitia-se no meu rosto e o teu corpo perfurava o meu olhar. Eras tão lindo a dormir... penso que até demais. Mas, aquele egoísmo de quereres os lençóis só para ti irritava-me, sempre me irritou. Regressei ao meu lugar naqueles lençóis quentes, e suados do teu corpo, e abracei-me o teu pescoço. Tornou-se difícil não adormecer no conforto do teu corpo e, sabes, às vezes imagino como seriam as minhas noites sem a nossa felicidade. 
Passei os meus dedos gelados pelo teu cabelo despenteado, soltei uma gargalhada e nem sei bem porquê. Embrulhei-me em ti, e senti-me lentamente a adormecer. 
Lembro-me de sentir o teu rosto próximo do meu, de ouvir a tua voz rouca e desafinada. Lembro-me, ainda, de juntos adormecermos respirando aquela noite gelada.

sábado, novembro 23, 2013

Testemunho

Tornou a ser de noite. Observei o teu olhar rasgado e despido, enquanto me sentava perto do teu corpo. Senti a tua respiração aflitiva e enchi-me do fumo dos teus cigarros. Quis dizer-te o quão te adoro.
A tua pele estava áspera, desidratada. Pedi-te que largasses o cigarro que seguravas entre os lábios pesados, mas não senti uma resposta, nem sequer a ouvi.
Fiquei, então, junto à janela olhando para o teu corpo deitado, para o teu corpo sem vida. Quis puxar-te dos lençóis quentes e penetrantes do teu cheiro. Mas, foste tu quem me puxou. Abracei o teu pescoço, mesmo com dificuldade. Os meus dedos escorregaram sobre as tuas lágrimas, e acabei por testemunhar a tristeza existente em ti. Observei, novamente, o teu olhar. Tropecei em ti e vi-te sorrir. Abracei a solidão da tua tristeza, enrosquei-me em ti e falei-te da noite.
Bocejavas de sono, enquanto admiravas a luz adormecida do meu lar. Antes de adormecer ouvi-te falar sobre o desconforto que tinhas sobre a vida, agarrei-me à tua respiração e pedi-te que sorrisses.
A minha testa foi invadida por beijinhos doces e apaixonantes. O meu corpo acabou, assim, sufocado pelo teu cheiro.
Respirei-o, e adormeci.

sábado, outubro 26, 2013

Invasão

É de noite, tenho frio. A chuva teima em permanecer lá fora, não consigo dormir. Invadiste mais uma vez o meu pensamento, invadiste mais uma vez aquilo que durante muito tempo te pertenceu.
Tenho-me refugiado nestas noites frias - tu sabes que encontro sempre algo mais no vazio e no silêncio do céu escuro, mesmo que hoje não seja o caso. Tu sabes o quão eu adoro noites, foste tu que me ensinaste a gostar delas. Foste tu que me ensinaste a sobreviver às noites de tempestade, foste tu a maioria das minhas noites. É inevitável não me recordar de ti, é inevitável. E sabes, ainda me perco a pensar em ti, ainda me perco na nossa paixão, no teu olhar triste. Ainda me perco no teu perfume que sufoca o meu lar, que sufoca as minhas roupas e os meus lençóis.
É difícil esquecer-me do último cigarro que fumámos juntos, dos últimos poemas que te escrevi, da segurança que tínhamos um com o outro. É difícil apagar tudo aquilo que és para mim, principalmente quando me fazes falta.
Empurro o último cigarro contra o cinzeiro, o último disse eu.

sexta-feira, agosto 02, 2013

Expressões

Há tanta coisa a mudar, já reparaste? Continuo a achar o que somos tão pequenino no meio de tantas pessoas, mas ao mesmo tempo tão grande. Já consigo decifrar o cheiro e o sabor do teu perfume. Já consigo adorar o espaço que tens para mim ai dentro. Já consigo adorar a ideia de poder pertencer-te, mas por outro lado não me consigo esquecer da tua voz rouca. Não me consigo esquecer das melodias que me cantas de noite. Não me consigo esquecer do teu rosto a transbordar de felicidade. Não me consigo esquecer de cada pormenor teu. Não me consigo esquecer de tudo aquilo que me trouxeste, de tudo aquilo que me dás de novo. E é mesmo por isso que eu preciso de ti, preciso daquilo que és. Há tanta coisa a mudar, já reparaste? Pergunto-te eu todos os dias. Talvez para que percebas que é mesmo isso que se passa presentemente entre nós, entre aquilo que somos. Existe tempo para tudo. Tempo para acreditar e tempo para amar, mas existe também tempo para aprender a ser feliz, e realmente isso faz-me crescer, muito. Não há uma possibilidade de alguém aparecer na nossa vida por acaso. Há ou pelo menos deveria de haver uma razão. Temo perder aqueles pequenos detalhes do teu ser. Temo perder-te.
E sabes, é uma loucura tudo aquilo que somos, mas gostar de ti faz-me tão bem!

domingo, junho 16, 2013

Eternidade

Este vazio teima em preencher-me. Teima em permanecer perto de mim, perto daquilo que é meu.
O meu cansaço tem-me desgastado as pontas dos dedos que escreviam por amor. Tem desgastado tudo aquilo que eu fazia de coração. A minha solidão tem sido alcançada pelas melodias que passam na rádio e até pela guitarra que toca no fundo da rua. Não suporto este amargo sabor de despedidas... Este silêncio que me irrita. 
Por trás do meu sorriso, por trás do meu rosto fácil, escondo medos. Escondo tristezas, angústias. Escondo segredos de uma vez só. Incrível não é?
Por mais que me pareça impossível, os meus dias agora são maiores e as minhas noites igualmente. O vazio que teimava em preencher-me, decidiu desaparecer de vez. Agradeço-lhe porque, parecendo que não, metade do que eu era apagou-se, destruiu-se pouco a pouco. Agora, tudo para mim é desconhecido. Restam recordações mortas fechadas em cadernos.
Neste momento, viciei-me na melodia do teus lábios colados aos meus. Estou fascinada pelo toque leve daquilo que é teu, daquilo que é meu.

terça-feira, março 26, 2013

É inédito

Passei a minha última noite em claro, foi como um vazio instalado entre as quatro paredes que me socorriam com medo. O escuro era enorme, aliás, já há muito tempo que o escuro se torna o rei, o vitorioso daquelas paredes. 
A minha vida tem corrido bem, os meus dias têm sido calmos, mas difíceis ao mesmo tempo. Já se passaram alguns dias e eu já estou com saudades tuas; saudades de te ver. É inexplicável, até porque nem eu sei bem o que é isto. É inédito. As horas passam, os dias correm, e eu continuo sem saber muito bem para onde me virar, por onde ir. Não me perguntes o porquê, nem eu sei. Nem eu sei responder a várias das minhas questões. 
Continuo a ver-te em todas as minhas paredes numa versão duplicada, a nossa música continua a teimar em ser reproduzida na rádio, e eu não sei que faça de mim. Amanhã completo mais um aniversário e receber uma mensagem tua já preenchia o meu dia. Vou deitar-me, talvez hoje seja o dia ideal para conseguir pregar olho.
E sabes que mais... poderei passar milhares de noites em claro, desde que o motivo para tal seja, definitivamente, apenas tu.

domingo, fevereiro 03, 2013

Magoando o teu próprio ego

Acordei milhares de vezes durante a noite. Aquela sensação de corpo gelado, dormente... Incompreensível. Os meus vizinhos chegaram tarde, e mesmo aqueles que não chegaram, eu dei pela presença deles. Afoguei-me nos lençóis, mergulhei a minha cabeça na almofada, fiquei submersa nos meus pensamentos e apaguei-me.
Queria telefonar-te, mas não pude. Nem eu sei o porquê. Iria sussurrar-te milhares de coisas e talvez a mais importante de todas ficasse por dizer. Iria engolir todas as tuas respostas em seco e acabaria ferida. Queria poder revelar-te o quão me apeguei a ti, o quão fico a pensar como tudo poderá ser ou como nada poderá acontecer. Crio aqueles teus traços, preencho-os a carvão e por fim não os quero, rasgo-os pedaço a pedaço, acendo um fósforo e queimo-os. Talvez para a próxima fique melhor. É assim que penso, já me magoei tantas vezes que aprendi a superar. 
Hoje... talvez hoje eu te telefone, por mil e um motivos. São 07:50. Publico, pego na chávena de leite com café da manhã e deito-me na poltrona. Tenho todo o tempo do mundo, para quê? Para o que resta ser teu.