domingo, dezembro 8

Esperança

 
Nesta noite fria e devastadora, seguro nas minhas mãos gélidas uma caneca de chocolate quente.
Ouvi, mais uma vez, a tua respiração em prosa. Lentamente, o teu cigarro desvaneceu e as tuas mãos ficaram sozinhas, lutando contra o frio. O teu rosto empalidecido perfurou o meu olhar e, em passos curtos, aterrei nos teus braços.
Descansei o meu rosto na tua clavícula e respirei o conforto do teu corpo. O conforto que nunca perdi. Desenrolaste-me os pensamentos e eu reconheci a ausência dos teus. Beijei o teu pescoço e o teu rosto na esperança de que me assegurasses que estava tudo bem, mas não estava. Sussurrei-te que só queria deitar-me sobre os lençóis, a teu lado, e falar-te de coisas sem nexo. Não ousaste responder-me, e a nossa solidão tornou-se confortável.
Enrosquei-me em ti e deitei-me sobre o teu peito, enquanto embrulhavas o meu cabelo nos teus dedos. Amei-te nesta noite, como em tantas outras. E numa respiração adormecida, dei por mim, a adormecer também.

6 comentários:

  1. "Ouvi, mais uma vez, a tua respiração em prosa." oh filipa, que doçura, que ternura de texto! adorei, sabes? adorei mesmo:)

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  2. oh minha querida, quero que sabias que me alegras com tudo o que dizes. obrigada por pertenceres aqui, e só por seres assim, tão carinhosa e cheia de doçura, também pertences a mim e a tudo o que escrevo! um beijinho grande:)

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  3. Por momentos parece que se consegue visualizar tudo o que aqui está descrito. Gostei bastante :)

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  4. E dormir num compasso perfeito de dois corpos é das coisas mais aconchegantes que existem.

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  5. Tão lindo e doce este teu texto.. Fico feliz por ti querida e obrigada por todas as tuas palavras amigas. Muitos beijinhos

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  6. está simplesmente perfeito, sinto-me confortável no teu cantinho, por isso vou seguir-te :)

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