terça-feira, agosto 30

Espero-te

O sol adormeceu faz algumas horas, mas o meu corpo apoderou-se das insónias a que sobrevive nos últimos tempos. O vazio dos meus lençóis é um tanto entre mim que sou tão pouco por não te ter aqui; sou escassa nos movimentos e nas palavras, porque pretendo eternizar-me no amor que preenche o meu coração com pedaços de ti. É tão fácil derreter-me, sem medos ou receios, no calor das linhas que traças em mim. 
Nessas alturas, em que fervo na chama que arde entre nós, digo baixinho ao teu ouvido: o meu lugar é aqui. E sei-o sem hesitações, sei que te pertenço e que o nosso amor arde sem fim. Porque é nos teus beijos onde me entalo, onde me perco e onde te sinto incansável. Espero por ti, ainda deitada, na esperança de brotar respirações ritmadas e avistar a tua roupa perdida pelo nosso lar.