sábado, outubro 26

Invasão

É de noite, tenho frio. A chuva teima em permanecer lá fora, não consigo dormir. Invadiste mais uma vez o meu pensamento, invadiste mais uma vez aquilo que durante muito tempo te pertenceu.
Tenho-me refugiado nestas noites frias - tu sabes que encontro sempre algo mais no vazio e no silêncio do céu escuro, mesmo que hoje não seja o caso. Tu sabes o quão eu adoro noites, foste tu que me ensinaste a gostar delas. Foste tu que me ensinaste a sobreviver às noites de tempestade, foste tu a maioria das minhas noites. É inevitável não me recordar de ti, é inevitável. E sabes, ainda me perco a pensar em ti, ainda me perco na nossa paixão, no teu olhar triste. Ainda me perco no teu perfume que sufoca o meu lar, que sufoca as minhas roupas e os meus lençóis.
É difícil esquecer-me do último cigarro que fumámos juntos, dos últimos poemas que te escrevi, da segurança que tínhamos um com o outro. É difícil apagar tudo aquilo que és para mim, principalmente quando me fazes falta.
Empurro o último cigarro contra o cinzeiro, o último disse eu.

6 comentários:

  1. Oh, este texto é tão triste e tão bonito. Se precisares de falar, estou aqui para ti. Força!

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  2. r: Obrigada querida, também gostei do teu canto!

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  3. Fui a primeira pessoa a ler isto, e confesso que me arrepiei. Mas agpra voltando a le-lo um calor invadiu-me a alma. Ha muito que nao escrevias assim , ha muito q nao te via tao entregue a uma nova expressao de inocencia no teu pequeno mas enorme cantinho. Ergue-te princesa. Amo-te

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  4. Gostei imenso do teu blog, segui-te.
    Este texto arrepiou-me, está qualquer coisa de comovente. Gostei imenso, mesmo.

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  5. Que lindo!
    r: Muito obrigada, ainda bem que gostas-te é bom saber que gostam do que escrevo!
    Beijos, também te estou a seguir. *

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  6. Muito bonito, de facto!

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