sexta-feira, agosto 26

Obras de arte

Cheguei a casa. Eram quase nove da noite quando voltei, embrulhada em calor e preenchida pela distância que agora nos separa. Trouxe comigo o teu cheiro e o vazio da tua voz, seguindo-se as nódoas negras que ganhei a cada quilometro percorrido. 
Os meus pensamentos celebram as vezes em que rebolei contigo na cama, durante largas horas do dia, desprezando os raios solares que penetravam o nosso corpo através da janela bordada de veludo. Liberto sorrisos serenos, mas vagos, na esperança de alcançar uma distancia entre o vazio que trouxe comigo, desde que te larguei na noite passada, e a pessoa que sou hoje por te ter na minha vida. Somos obras de arte, pinceladas por chamas e cobertas de espectros. Pagaria uma vida inteira para ser a tua obra de arte eterna; aquela por quem te apaixonarias ao acordar e a quem agradecias o esforço e dedicação ao deitar. É isso que te digo todas as noites que te beijo, entre uma coleção de roupa e rasgões de alma, alimentado os teus lábios com o sabor dos meus. O nosso lar ferve com o eco da tua voz, mas és tu quem ousas aquecer-me também com as pétalas de orgulho que deitas sobre mim.
Traduzo-te o meu amor pela chama que arde enquanto te espero, deitada, na esperança que o próximo dia te traga, de novo, até mim.

1 comentário:

  1. "Somos obras de arte, pinceladas por chamas e cobertas de espectros." adorei, escreves realmente bem e consegui sentir a tua dor através de cada palavra:)

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