domingo, junho 16

Eternidade

Este vazio teima em preencher-me. Teima em permanecer perto de mim, perto daquilo que é meu.
O meu cansaço tem-me desgastado as pontas dos dedos que escreviam por amor. Tem desgastado tudo aquilo que eu fazia de coração. A minha solidão tem sido alcançada pelas melodias que passam na rádio e até pela guitarra que toca no fundo da rua. Não suporto este amargo sabor de despedidas... Este silêncio que me irrita. 
Por trás do meu sorriso, por trás do meu rosto fácil, escondo medos. Escondo tristezas, angústias. Escondo segredos de uma vez só. Incrível não é?
Por mais que me pareça impossível, os meus dias agora são maiores e as minhas noites igualmente. O vazio que teimava em preencher-me, decidiu desaparecer de vez. Agradeço-lhe porque, parecendo que não, metade do que eu era apagou-se, destruiu-se pouco a pouco. Agora, tudo para mim é desconhecido. Restam recordações mortas fechadas em cadernos.
Neste momento, viciei-me na melodia do teus lábios colados aos meus. Estou fascinada pelo toque leve daquilo que é teu, daquilo que é meu.

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