terça-feira, novembro 13

Ausência prolongada

 
Retiro novamente o caderno de capa de veludo, escondido na terceira gaveta da minha secretária, folhei-o com cuidado e tento concentrar-me em cada linha e entrelinha que ele resguarda. Sinto-me isolada em cada palavra que leio, em cada frase que sinto e em cada noção que pressinto da tua ausência. Tornaste os meus dias incompletos, tornaste as minhas cartas irreais e o meu silencio num poderoso absurdo. Lideraste o poder de tocar nos meu ponto fraco, de perfurar até ao fim do meu sentimento, e de me armadilhar no nosso amor. Acreditei, inconscientemente, nos tempos verbais a que pertenci  e distanciei-me daqueles que não quero de todo pertencer.
Na realidade continuas a apoderar-te do meu pensamento, a querer invadi-lo a toda a hora. A querer, sobretudo, invadir-me. Mas, de certo que nunca conseguirás apagar a ausência que colocaste em mim, em mim e no nosso amor... E só eu sei a mágoa que é sentir que partiste. Partiste e não voltaste mais... Partiste simplesmente. 
Um beijo apaixonado,
Fil.

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